Marcelo Melo leva o Brasil ao título de Wimbledon após 51 anos

Marcelo comemora depois de quase cinco horas de partida (Foto: Getty Images)
O grande sonho da carreira do brasileiro Marcelo Melo virou realidade. O tenista mineiro e seu parceiro, o polonês Lukasz Kubot, são os campeões de duplas da edição 2017 do torneio de Wimbledon, após uma verdadeira maratona de 4h39min de partida neste sábado (15), na quadra central do All England Club. Com o resultado, o Brasil volta a conquistar o tradicional Grand Slam inglês após 51 anos, pela primeira vez entre os homens em 140 anos de história. A última comemoração de um tenista profissional do País havia sido nas duplas femininas, em 1966, com Maria Esther Bueno.

Melo e Kubot, cabeças de chave 4 e melhor dupla do mundo na temporada, derrotaram o austríaco Oliver Marach e o croata Mate Pavic – cabeças 16 – por 3 sets a 2, com parciais de 5/7, 7/5, 7/6(7/2), 3/6 e 13/11. Jogo terminado, uma grande comemoração, no momento em que Marcelo – atual número 1 do ranking mundial individual de duplas – entra para a história ao lado de Kubot. Ele ajoelhou, abraçou o parceiro, correu em direção ao irmão Daniel, seu técnico, vibrou muito e se emocionou ainda mais ao receber e morder o troféu de campeão.

Com a vitória, somaram nada menos do que 14 partidas invictas em quadras de grama e três títulos nesse piso este ano, em uma trajetória que começou com o ATP 250 de ‘s’Hertogenbosch, na Holanda, passou pelo ATP 500 de Halle, na Alemanha, e terminou de forma brilhante em Wimbledon. Até o torneio holandês, Melo não tinha títulos na grama. Agora, soma três consecutivos e com o grande sonho realizado em Londres.

Marcelo Melo encerra Wimbledon com muitas conquistas: campeão, número 1 do ranking mundial individual de duplas e recordista brasileiro em número de títulos na carreira, com 27. Cinco nesta temporada. Agora, tem dois Grand Slam: Roland Garros 2015 e Wimbledon 2017, além de um vice em Londres (2013) e duas semifinais no US Open. Na campanha do vice em Wimbledon e para ser campeão em Roland Garros, Melo jogou com o croata Ivan Dodig.

Kubot subiu de oitavo para quarto lugar do mundo. O polonês também comemorou seu segundo Grand Slam na carreira – já havia vencido o Aberto da Austrália em 2014. Juntos, Melo e Kubot formam a melhor dupla da temporada – são os líderes do ATP Doubles Team Race to London, que define as oito parcerias de 2017 para disputar o ATP Finals.

“Não tenho palavras para descrever o sentimento depois desse jogo. Eu ainda vou precisar de um tempo para assimilar esse grande feito. É aproveitar agora o momento, curtir o máximo. Meu sonho sempre foi conquistar um Grand Slam e, especialmente, Wimbledon.  Sempre falei isso. Todos os anos que meu foco era vir e ganhar aqui. Desde pequeno sonhei.  A grama foi um piso que sempre gostei de jogar. Fomos para os outros torneios, antes, na grama, pensando em Wimbledon. E poder ganhar aqui, nossa… É Wimbledon! Poder entrar para a história. Ser afortunado de jogar naquela quadra central e vencer. Realmente, puderam ver pela minha reação”, comemorou um emocionado Marcelo.

“Agradeço todo mundo, ao meu time, todos que trabalham comigo, meus patrocinadores, todo mundo que me apoia, os torcedores que mandam mensagens. A todo mundo que me incentiva e torce por mim. É isso. Estava muito feliz por já ter conquistado Roland Garros e ter sido número 1. Agora, aqui,  esta semana, recuperar o número 1 do mundo, naquela semifinal tão importante, e poder virar campeão de Wimbledon. Ter na carreira esses títulos, ser número um do mundo, estou muito feliz”, completou o tenista, que tem o patrocínio de Centauro, BMG e Itambé, com apoio da Confederação Brasileira de Tênis (CBT).

“Estamos muito felizes, comemorando esse  triunfo. Um torneio tão tradicional, que o Marcelo sempre quis ganhar, na grama, o piso que ele mais gosta. É aproveitar este momento tão especial, depois de duas semanas de muitas batalhas. Demais! Não tem como expressar tamanha felicidade”, vibrou Daniel Melo, irmão e treinador de Marcelo, que está ao seu lado na conquista de todos os 27 títulos da carreira.

O jogo – Após um início de partida muito equilibrado, com as duas duplas mantendo os seus serviços sem maiores problemas, até o 5/5, Marach e Pavic conseguiram a primeira quebra do jogo, em um um game no qual Kubot acabou não tendo bom aproveitamento do primeiro saque e facilitou as devoluções dos adversários, que marcaram 6/5 e fecharam em 7/5.

No segundo set, a reação. Jogando pressão sobre a dupla adversária e sabendo da importância de não deixar Marach e Pavic abrirem 2 a 0 na partida, Melo e Kubot devolveram o placar, quebrando o serviço do austríaco no 12º game, com um lob perfeito do polonês. Um game que começou com uma grande devolução de Melo, que vibrou muito, punho cerrado, mostrando que iria com tudo para buscar o empate.

Na terceira série, um decisivo tie break. Após muito equilíbrio, com as duplas mostrando um tênis de alto nível, e o empate em 6/6, Melo e Kubot jogaram muito para virar a partida e ir em busca da vitória: abriram 4/2 e não deram mais chances aos adversários, fazendo 7/2. Um grande tie break da dupla, 7/6 (7/2) no set. Dois a um no jogo.

Antes do início do quarto set, Marach chegou a ser atendido na perna esquerda, o que se repetiu por mais duas vezes, mas seguiu normalmente na partida.

Se até o terceiro set, o jogo teve apenas duas quebras, a quarta série contou com uma sequência de breaks. Marach e Pavic quebraram o saque de Marcelo para abrir 3/1. Melo e Kubot reagiram, devolvendo o break, em grande momento do tenista mineiro. Só que, na sequência, Kubot cometeu dupla falta e permitiu nova quebra aos adversários, que fizeram 4/2. Aproveitando a queda de rendimento de Melo e Kubot, mantiveram o ritmo para fazer 5/2 e fechar em 6/3, levando o jogo para a série decisiva.

No quinto set, mais equilíbrio, emoção e tensão na disputa ponto a ponto. Em jogo, o título de Wimbledon. Com direito a aces de Melo e Kubot para confirmar seus serviços. E eles tiveram uma grande chance de quebra no oitavo game, mas os adversários acabaram empatando em 4/4. Aí confirmaram para fazer 5/4 e buscar a vitória e o título.  Novo empate, em 5/5, após mais de sete minutos de game, com os jogadores se superando em quadra. Melo sacou muito para colocar a dupla novamente à frente: 6/5 com um ace do brasileiro, que vibrou muito. Mas, Marach e Pavic salvaram dois match points para empatar novamente em 6/6. Mais uma vez Melo e Kubot à frente, 7/6, com dois aces do polonês. Mais um empate: 7/7. E foi assim até o 11/11, quando o jogo, após 4h34min foi suspenso por 10 minutos para que o teto fosse fechado e as luzes acesas. Na volta, vitória por 13/11, na quebra do saque de Pavic.

A campanha em Wimbledon – Até a disputa da final, Melo e Kubot precisaram jogar durante 14h10min para vencer cinco jogos, passando pelos holandeses Wesley Koolhof e Matwe Middelkoop por 3 sets a 0 – 6/4, 6/0 e 6/3; pelo alemão Philipp Petzschner e o austríaco Alexander Peya por 3 sets a 2 – 6/2, 5/7, 6/3, 3/6 e 11/9; pelo romeno Florin Mergea e o paquistanês Aisam Qureschi por 3 sets a 2 – 6/7 (3-7), 4/6, 6/1, 6/4 e 6/2; pelos irmãos britânicos Ken Skupski e Neal Skupski, por 3 a 0 – 7/6 (13/11), 6/4 e 6/4; e pelo finlandês Henri Kontinen e o australiano John Peers, por 3 a 2 – 6/3, 6/7(4/7), 6/2, 4/6 e 9/7. Neste sábado foram mais 4h39min para conquistar o título diante de Marach e Pavic.

Número um, de novo. E recordista brasileiro em títulos – Esta é a segunda vez que o mineiro Marcelo Melo ocupa a liderança do ranking mundial individual de duplas. A primeira foi em novembro de 2015, permanecendo como número um por 26 semanas. Em 2015, aliás, ano em que terminou como melhor do mundo, Marcelo venceu seu primeiro Grand Slam, em Roland Garros. No total, nesse ano, conquistou seis títulos e comemorou as suas 300 vitórias na carreira no ATP de Miami.

E foi a segunda vez que Melo chegou à final do tradicional torneio de Wimbledon. Em 2013, ao lado de Dodig, foi vice-campeão, perdendo a decisão para os irmãos Bob e Mike Bryan. Agora, o tão sonhado título. Nesse ano de 2013, foi ainda semifinalista do US Open e terminou pela primeira vez entre os 10 do mundo – ocupando a sexta colocação no ranking. Em 2014, mais uma semifinal de US Open e, em Wimbledon, quartas de final.

O primeiro título em torneio ATP do tenista mineiro foi em 2007, no Estoril, em Portugal. Agora, com a conquista em Wimbledon, soma 27 campeonatos, recorde entre os brasileiros.

O título em Wimbledon 2017 – onde já tinha o vice em 2013 – vem se somar à conquista em Roland Garros 2015 como os grandes momentos de Marcelo em torneios Grand Slam. Foi, também, duas vezes seminifinalista no US Open.

Juntos, Melo e Kubot são os atuais líderes do ATP Doubles Team Race to London, que define as oito melhores parcerias de 2017 para disputar o ATP Finals. Em sua carreira, Marcelo já disputou o ATP Finals, em Londres, em 2013, 2014, 2015 e 2016.

A dupla número 1 do mundo chega a 34 vitórias na temporada, incluindo a 400ª da carreira de Melo, obtida na estreia em Roland Garros 2017, e apenas 9 derrotas. Terminam a série de três torneios – Holanda, Alemanha e Wimbledon – invictos em quadra de grama, com três títulos e 14 vitórias consecutivas.

Em 2017 conquistaram os títulos de dois Masters 1000 – Miami (Quadra Rápida) e Madri (Saibro) –, o ATP 250 de ‘s’Hertogenbosch, na Holanda (Grama) e o ATP 500 de Halle, na Alemanha (Grama). E, agora, Wimbledon.

Na carreira, com 27 conquistas no total, duas em Grand Slam, também lidera no número de títulos em Masters 1000. Em Madri chegou ao sétimo, depois de ganhar Shangai (2013 e 2015), Paris (2015), Toronto (2016), Cincinnati (2016) e Miami (2017).

Melo e Kubot disputam final de Wimbledon em busca de título inédito

Dupla teve de superar uma difícil partida pela semifinal (Foto: Felipe Castanheira / Divulgação)
O mineiro Marcelo Melo sempre afirmou que Wimbledon é seu torneio favorito e ser campeão no Grand Slam, em Londres, na Inglaterra, um grande sonho. Agora, ele está a um passo de ver o sonho virar realidade. Neste sábado (15), na quadra central do All England Club, Melo e seu parceiro, o polonês Lukasz Kubot, cabeças de chave 4, vão em busca desse inédito título contra o austríaco Oliver Marach e o croata Mate Pavic – cabeças 16. A final de duplas terá início por volta das 12h30 (horário de Brasília), com transmissão ao vivo no Sportv 3 e na ESPN.

Marcelo Melo entra em quadra na decisão de Wimbledon como novo número 1 do ranking mundial individual de dupla, posição conquistada após a semifinal. Kubot subiu de oitavo para quarto lugar. Junto com o polonês, Melo forma, também, a melhor dupla da temporada – são os líderes do ATP Doubles Team Race to London, que define as oito parcerias de 2017 para disputar o ATP Finals.

Será a segunda final de Marcelo Melo em Wimbledon – em 2013 ficou com o vice-campeonato, ao lado do croata Ivan Dodig, perdendo a decisão para os irmãos Bob e Mike Bryan – e a terceira de um Grand Slam. Em 2015, Melo e Dodig foram campeões em Roland Garros.

O tenista mineiro buscará o 27º título de sua carreira e o quinto nesta temporada. Melo e Kubot já conquistaram, em 2017, dois Masters 1000 – Miami (Quadra Rápida) e Madri (Saibro) –, o ATP 250 de ‘s’Hertogenbosch, na Holanda (Grama) e o ATP 500 de Halle, na Alemanha (Grama). Além disso, foram vice-campeões no Masters 1000 de Indian Wells (EUA), chegando agora a sua sexta final no ano.

A dupla está invicta em quadras de grama em 2017, tendo vencido 13 partidas seguidas. No caminho até Wimbledon, Melo e Kubot conquistaram os dois torneios preparação que disputaram, na Holanda e na Alemanha. O ATP 250 de ‘s’Hertogenbosch, aliás, foi o primeiro título da carreira de Melo nesse piso.

Para chegar a decisão em Wimbledon, Melo e Kubot superaram três partidas em cinco sets, com mais de três horas de duração, mostrando muita concentração, foco, confiança e entrosamento. “Ao longo desses jogos, mostramos que estamos muito bem, tanto na parte física, como mental, enfrentando cinco sets, partidas difíceis, muito equilibradas, exigindo foco e confiança. Agora é continuar focados, passo a passo, como fizemos até aqui, e ir com tudo para essa final”, afirma Marcelo, que tem o patrocínio de Centauro, BMG e Itambé, com apoio da Confederação Brasileira de Tênis (CBT).

A campanha até a final de duplas – Para chegar à final, o mineiro Melo e o polonês Kubot precisaram jogar durante 14h10min para vencer cinco jogos. Na estreia, não tiveram problemas para bater os holandeses Wesley Koolhof e Matwe Middelkoop por 3 sets a 0, parciais de 6/4, 6/0 e 6/3. Bem diferente da segunda rodada, quando precisaram de cinco sets e 3h43min para avançar, derrotando o alemão Philipp Petzschner e o austríaco Alexander Peya por 3 sets a 2, parciais de 6/2, 5/7, 6/3, 3/6 e 11/9.

Na terceira rodada, mais uma batalha de cinco sets, desta vez com uma virada espetacular, diante do romeno Florin Mergea e do paquistanês Aisam Qureschi: 3 sets a 2, parciais de 6/7 (3-7), 4/6, 6/1, 6/4 e 6/2, em 3h22min. Nas quartas de final, eles conseguiram mais uma vitória por 3 a 0, diante dos irmãos britânicos Ken Skupski e Neal Skupski, parciais de 7/6 (13/11), 6/4 e 6/4.

Aí, voltaram a enfrentar cinco sets, em partida muito equilibrada, para ganhar dos cabeças de chave número 1, o finlandês Henri Kontinen e o australiano John Peers, por 3 sets a 2 – parciais de 6/3, 6/7(4/7), 6/2, 4/6 e 9/7 -, em 3h32min, e garantir lugar na decisão. A vaga foi muito comemorada pela dupla. Melo beijou a grama sagrada de Wimbledon. Kubot saiu dançando. Depois da festa, concentração para a final.

Número um, de novo – Esta é a segunda vez que o mineiro Marcelo Melo ocupa a liderança do ranking mundial individual de duplas. A primeira foi em novembro de 2015, permanecendo como número um por 26 semanas. Em 2015, aliás, ano em que terminou como melhor do mundo, Marcelo venceu seu primeiro Grand Slam: Roland Garros, em Paris, na França.

A dupla número 1 do mundo tem 33 vitórias na temporada, incluindo a 400ª da carreira de Melo, obtida na estreia em Roland Garros 2017, e apenas 9 derrotas.

Na carreira, Melo soma 26 campeonatos, recorde entre os brasileiros ao lado de Bruno Soares. E também lidera no número de títulos em Masters 1000. Em Madri chegou ao sétimo, depois de ganhar Shangai (2013 e 2015), Paris (2015), Toronto (2016), Cincinnati (2016) e Miami (2017).